quarta-feira, maio 08, 2002

É tão bom ficar em casa. No caso, a casa é um apartamento sem sacada, que faz a gente se sentir confortável e seguro como um canarinho na gaiola. É gostoso ficar o dia todo perambulando entre o quarto, a sala, a cozinha e, é claro, o banheiro. Principalmente quando cai aquela chuvinha e não há nada o que se fazer fora de casa, nem mesmo o trabalho, que pode ser executado via internet (aliás, GRAND MERCI INTERNET!) . Aí, o negócio é arrumar algumas coisas no quarto, organizar papéis e jogar fora todo o lixo que a gente percebe que há semanas vem convivendo com a gente. Depois, o legal é bater um papo com a empregada enquanto se faz uma boquinha na cozinha e perguntar o que aconteceu na madrugada e se ela também ouviu aquela gritaria lá embaixo.
Outra coisa interessante p/ se fazer nesses dias de semi-ócio, é ligar a televisão e ficar mudando incessantemente de canal. Não se assite à nada, mesmo porque pouca coisa na tv vale a pena ser assitida, mas se vê várias pessoas e várias situações diferentes, o que comõe um mosaico de realidades diferentes, em línguas e linguagens distintas ( lógico, isso se a pessoa tiver tv a cabo, senão ela só vai ver o grotesco da tv e ouvir um português mal-falado.)
E o banheiro...ahhh..o momento do banheiro é delicioso. A pessoa pode fazer suas necessidades e ficar despreocupadamente sentada na privada um tempão ainda p/ contar azulejos, ler rótulos de embalagens, ou então aquela revista científica chatíssima que chegou na semana passada e que ela ainda não teve coragem de começar a ler. O banho também é todo despreocupação, e pode-se ficar mais de quarenta minutos curtindo aquela água quente cair e esquentar todo o corpo. Nesses dias, é bom aproveitar e abusar de massagem com creme corporal e óleo de amêndoas.
E relaxar, relaxar, relaxar, relaxar. E comer, comer, comer, comer. E dormir, dormir, dormir...E falar horas com os amigos ao telefone, pensar nas próximas férias, brincar com o cachorro sentada no chão, ajudar a irmã a escolher a roupa da festa do fim-de-semana e enfimm...até escrever no seu blog antes da habitual leitura e prazerosa masturbação que precedem o sono ( também poderia ser prazerosa leitura e habitual masturbação)!
E amanhã, nada será motivo de stress. Nem uma chefe na menopausa.
Acabei quase todas as tarefas do dia. Escrevi meus textos, fiz meus contatos, pesquisei o que não sabia ainda. Estou com aquela sensação de "missão cumprida". E estou sem-ânimo p/ sair. Aliás, com essa garganta arranhando, é melhor mesmo eu ficar em casa. Esse é o único problema do inverno, com ele chegam as dores de garganta e narinas que entopem.

sábado, maio 04, 2002

Tô desestimulada. Não tenho estímulo p/ estudar, trabalhar, namorar, sair, etc. Queria estar lendo um bom livro, mas estou sem grana p/ comprar o livro que quero ler: Crime e Castigo. E se tivesse grana, também estaria matriculada numa academia de ginástica fazendo algum exercício que cansasse muito o meu corpo. E se tivesse mais grana, pegaria o fim-de-semana pra viajar e iria p/ uma praia onde eu pudesse ficar sozinha, olhando o nascer e o pôr do sol e sentindo a presença de Deus mais forte na minha vida.

sexta-feira, maio 03, 2002

Acabei de chegar de uma peça de teatro. Uma adpatação espetaculosa ( e não espetacular) de Timon,Sheakspeare. Muitas drag queens no palco, muito brilho, música e luzes de uma discoteca. Mas o argumento, mesmo com tanta "palhaçada", caricatura e elementos de comédia, não foi aliviado. A obra conta a história de um homem demasiadamente generoso, ingênuo, vaidoso e fútil que um dia se vê na miséria e é traído por todos os "amigos" que, nos tempos da fortuna, aproveitavam da sua bondade como vampiros. Timon, desiludido, passa a sentir pelos homens uma estranha mistura de ódio e desprezo.
A peça veio bem a calhar na minha vida. Enquanto muitos riam-se com as macaquices das drag queens, eu pensava no texto pronunciado e mastigava muito cada fala para facilitar a minha digestão. Sabia que o desfecho da peça, com Tímon arruinado, desiludido e sem ter com quem contar ( além da sua ex-escrava) , me deixaria mais do que abalada. Lembrei da minha mãe e do meu pai. E de mim. Meu pai, sempre muito generoso. Um verdadeiro mão-aberta, quase bobo. Talvez até bobo. Foi inúmeras vezes passado para trás nos negócios. Deu terras, emprestou a quem pediu, não negou ajuda a "amigos" que passavam dificuldades. Que amigo o ajuda hoje? Minha mãe, gastadeira que só ela. Gostava de investir em imóveis e jóias, viagens, roupas, quantidades e qualidades. Partilhava tudo com todos e bancava férias a dezenas de pessoas em nossa casa de praia. Prestava favores e passava noites inteiras acordada ouvindo e aconselhando uma "amiga" esquizofrênica. Hoje, psicóloga falida, recorre à ilusão do bingo e ao entretenimento televisivo dos programas de auditório. Sua grande "amiga" esquizofrênica, aquela que bebia o champagne da minha mãe durante as suas terapias da madrugada, está curada e não suporta a companhia da minha mãe pois não lhe traz boas lembranças.
E eu no meio de tudo isso? Criada por dois Timons? Tomei no cu. Sou generosa, vaidosa, mal dotada para negócios e boba . E crédula. Insisto em acreditar na boa fé das pessoas. Ajudo instintivamente, seja pela boa ação em si, seja pelo reconhecimento dela. Sou generosa e vaidosa . Sou hipócrita.
Foi por isso que essa peça mexeu comigo. Estou requestionando a minha vida, os meus modelos, os meus valores. Quero me entender melhor para poder entender melhor o mundo e vice-versa. Quero poder fazer isso antes de envelhecer como os meus pais. Tenho que aprender com os erros deles e tentar não cometer os mesmo. Abrir os olhos enquanto é tempo para não envelhecer na amargura da solidão.
Hoje tive que encarar uma lição de vida que há algum tempo vinha se desenhando p/ mim: protejei-me da minha própria generosidade. Protejei-me e desconfiei da generosidade alheia. A boa fé vai me arruinar. Tenho que trabalhar isso em mim pra não viver como "nossos pais"...Como Tímon.
Aos poucos, vou dosando o amargo da vida p/ não deixar nunca de reconhecer o seu sabor doce.

quinta-feira, maio 02, 2002

Outro template! Simples e clean. Como eu.

hehehe...
Só pra variar, mudei de template!
Droga, droga, droga!!!!
Tem dia que tudo desaba na cabeça da gente e o que a gente mais quer é ficar quietinha debaixo dos escombros.
Tô entre o "puta da cara" e o "tristinha de dar dó". Tô puta comigo, com as minhas escolhas, com as minhas limitações e com as limitações que eu , voluntariamente, criei p/ mim. E , ao mesmo tempo, tô com dozinho de mim mesma, me sentindo "A" vítima sacrificada pelo destino. Um dramalhão só.
Tô trabalhando pra caramba, ganhando pouquíssimo e dependendo do pão, teto e gasolina da minha mãe. Até o dinheiro do xerox eu tenho que pedir p/ ela. Que foda. E não sou mais nenhuma adolescente, já estou com os meus 24 aninhos bem vividos. Tá, o trabalho é uma delícia, tô aprendendo um monte, conhecendo gente legal e interessante, mas não tenho condições financeiras p/ fazer uma viagem de fim-de-semana e pegar um show ou peça legal.
Meu namorado é uma graça. Lindo, generoso e apaixonado . Como ele mesmo disse ontem :"carrega um caminhão de bosta" por mim. Mas, com toda a meiguice, carinho, beleza, gostosura e respeito, ele não me preenche. Eu tenho uma natureza dominadora, mas ( e talvez justamente por isso) adoro estar submissa a um homem. Não só na cama. Gosto de homens que me dominem psicologicamente, sentimentalmente, intelectualmente. Gosto de ficar naquele encantamento apaixonado, quase hipnotizada pelo cara. E ele não me desperta nada disso; nem admiração. Às vezes, sinto vontade de traí-lo. Com um homem imaginário.

Meu homem imaginário e...

o seu físico:

Alto
Magro (ou , no máximo, forte...com corpo de lenhador)
Cabelos limpos e despenteados
Mãos grandes
Pênis grande
Ombros robustos
Rosto simétrico
Sorriso que convida a uma lambida nos dentes
Rugas na testa
Barba ( até se for falhada)
Olhos invasores
Muitos pêlos

a sua personalidade:

dominador e, às vezes, submisso p/ continuar a dominar
carinhoso, mas não sufocante
confiante, sem ser arrogante
seguro
profundo e intenso, sem ser chato
apaixonado (por arte, humanidades, natureza, viagem, história, comida, sexo, e criança)
entusiasta
culto, educado e politizado
open-minded , mas totalmente heterossexual
meigo
gentil
humano
sensível
curioso

É pedir demais?
Não sei se é o meu namorado que não consegue me preencher ou se sou eu que não consigo me sentir preenchida.

O fato é que, voltado ao assunto principal desse post ( o desabafo), tô precisando chacoalhar a minha vida. Estou insatisfeita com o trabalho, com o amor, com a vida em família ( a minha irmã resolveu não conversar mais comigo porque eu fui verdadeiramente grossa com ela dizendo que come demais) , com a minha faculdade (que mais parece um cursinho técnico), com o meu físico (que vem sentido o passar do tempo aliado ao sedentarismo) e sobretudo, com a minha incapacidade de dar uma reviravolta na minha vida nesse momento de tanta angústia.

Sem contar que em pouco tempo termino a faculdade e estou completamente perdida nas meus projetos de futuro. Mudar para o exterior, fazer uma pós e sobreviver de subemprego? Casar, ir morar no interior e virar pauteira do jornal do prefeito? Ir p/ São Paulo e virar uma workaholic explorada que não tem tempo de lavar a própria roupa ou ir no salão depilar? Engravidar e chamar a minha filha de Marina? Desencanar, encontrar um emprego de telemarketing ) que pague quinhentão( "Telefonica- Fulana. Em que posso estar lhe ajudando?") , continuar embaixo das asas da mamãe para não ter que construir uma vida, casa, e família próprias?

Merde, merde, merde. Também cansei de falar dessa chatice toda.
Enquanto isso ( anoitece em certas regiões...), vou levando , incomodada, essa vida acomodada . Amanhã, vejo o que faço. ( Scarlett O'Hara foi feliz no final? Não consigo me lembrar...)

terça-feira, abril 30, 2002

Acho que vai ser esse template, mesmo!
Será que esse template tá legalzinho?
Quero ver meu blog!

segunda-feira, abril 29, 2002

Por que "Page not found"? Quero visualizar o meu blog novo. Já!
Chega de blog comunitário, esse blog é só meu e eu nem vou passar o endereço aos amigos. Quero poder falar mal ( ou bem ) deles sem que saibam!
Legal, vou retomar o hábito de escrever. E vou adquirir o hábito de ser totalmente "eu" em tudo o que escrevo.